quarta-feira, 11 de abril de 2012

SAÚDE EM FOCO


Guia para o Dia Mundial da Saúde, 7 de Abril de 2012

Guia para o Dia Mundial da Saúde, 7 de Abril de 2012
«Uma boa Saúde para um envelhecimento mais saudável»
O 7 de Abril é comemorado anualmente para assinalar o aniversário da fundação da Organização Mundial da Saúde (OMS), em 1948. O Dia Mundial da Saúde é uma campanha mundial através da qual se dirige um convite geral – desde os líderes mundiais ao público de todos os países -  para que reflictam sobre um problema específico de saúde pública com um impacto mundial. Convergindo sobre problemas novos e emergentes de saúde, o Dia Mundial da Saúde oferece-nos uma oportunidade para desencadear uma acção colectiva para a protecção da saúde e do bem-estar das populações. É também uma oportunidade para estimular um maior engajamento de grupos específicos (Decisores políticos; Organismos Internaciionais, responsáveis municipais, prestadores de cuidados, grupos da sociedade civil, investigadores, organismos privados, pessoas idosas e assistentes sociais, associações juvenis, organizações filantrópicas, opinião pública, etc.)  na procura de soluções que são benéficas para todo o mundo.
Tema e Slogan: O tema do Dia Mundial da Saúde 2012 é Envelhecimento e Saúde com o slogan «Uma boa saúde para um envelhecimento mais saudável». Trata-se de mostrar como uma boa saúde ao longo da vida  pode permitir que as pessoas idosas continuem a viver uma vida plenamente produtiva e serem um recurso para as suas famílias e comunidades. A  terceira idade é de facto um problema que toca a todos e a cada um de nós - quer sejamos jovens ou idosos, homens ou mulheres, ricos ou pobres – onde quer que vivamos.
A terceira idade a nível mundial: Estatísticas, números sobre e considerações gerais
- A população mundial está a envelhecer a passos largos. Entre o ano 2000 e 2050, a proporção de pessoas com mais de  60 anos de idade entre a população mundial irá duplicar, passando de 11% para 22%. Durante o mesmo período, o número absoluto de pessoas com 60 ou mais anos de idade aumentará, muito provavelmente, de 605 milhões para dois biliões.
- Estima-se que até 2050, o número de pessoas com 80 anos de idade venha a duplicar para 395 milhões.
- Nos próximos cinco anos,  e pela primeira vez na história da humanidade, o número de adultos com 65 anos de idade, ou mais, será maior do que o número de crianças menores de cinco anos;
- Até 2050, o número de adultos será superior ao número de crianças menores de 14 anos;
- Estima-se que esta evolução demográfica será mais rápida e espectacular nos países de baixa ou média renda. Por exemplo, enquanto serão necessários cerca de 100 anos para que a proporção da população francesa com 65 anos e mais passe de 7% para 14%, em países como o Brasil e a China, este crescimento levará apenas 25 anos!
- Estes aumentos consideráveis na esperança de vida, de quase 50 anos num século, devem-se em grande medida aos progressos socioeconómicos e ao sucesso de estratégias de saúde pública.
Principais determinantes para um envelhecimento saudável:
- Um mundo em mudança: No século XXI a saúde mundial está a ser determinada por evoluções sociais de grande magnitude, para as quais ela contribui. Assiste-se a uma mundialização da economia;  um número cada vez mais crescente de pessoas vive e trabalham nas cidades;   as estruturas familiares mudam e as tecnologias  evoluem rapidamente. O envelhecimento da população é uma das transformações mais importantes da sociedade. Brevemente, haverá mais pessoas idosas do que crianças no mundo e o número de pessoas com idade bastante avançada atingirá um nível recorde.
- Para que se  desfrute de boa saúde enquanto idoso é preciso que antes se tenha cultivado uma boa saúde: a má nutrição  antes do nascimento aumenta o risco de doenças como as patologias respiratórias ou diabetes na idade adulta.  As infecções respiratórias contraídas durante a infância podem aumentar o risco de bronquite crónica na idade adulta. Os adolescentes obesos ou que apresentem uma sobrecarga ponderal correm o risco de sofrer de doenças crónicas durante a idade adulta (diabetes, patologias circulatórias, cancro e complicações respiratórias e músculo-esqueléticas).
- Saber envelhecer com saúde, depende de vários factores: ao sistema biológico do ser humano que aumenta à medida do seu crescimento, atinge a sua plenitude na idade adulta e vai diminuindo naturalmente depois. A rapidez deste declínio é determinada, pelo menos em parte, pelos nossos comportamentos e por tudo a que estamos expostos ao longo das nossas vidas, isto é, pela nossa alimentação, a prática ou não de actividade física e a exposição a riscos para a nossa saúde, como sejam o tabagismo, o consumo nocivo do álcool, ou a exposição a substâncias tóxicas.
Os novos desafios do crescimento demográfico:
- A maioria das pessoas idosas morre de doenças não transmissíveis:cardiopatias, cancro, diabetes, em vez de doenças infecciosas e parasitárias; Por outro lado, as pessoas idosas apresentam frequentemente vários problemas de saúde em simultâneo, como por exemplo diabetes e cardiopatias;
- Número de pessoas afectadas por um «handicap» aumenta em função do envelhecimento da população e do risco crescente de doença crónica com a idade; Por exemplo, cerca de 65% das pessoas com deficiências visuais têm 50 anos de idade ou mais e esta franja da população representa cerca de 20% da população mundial. Por conseguinte, o envelhecimento da população em vários países vai expôr um número crescente de pessoas a problemas de deficiência visual;
- Número considerável de pessoas idosas no mundo expostas a maus-tratos:Nos países desenvolvidos, cerca de 4% a 6% de pessoas estão expostas a maus-tratos nos seus domicílios. As pessoas idosas que vivam em lares, também podem ser vítimas de maus-tratos. Esses casos podem estar relacionados com a sua liberdade de movimento, dignidade, privacidade, auto-estima, etc.
- A necessidade de prestação de cuidados aumenta ao longo dos anos: Muitas pessoas idosas são frágeis, apresentam problemas físicos e mentais e têm dificuldades de locomoção. Muitas das pessoas idosos têm por isso necessidade de cuidados a longo prazo (tratamento no domicílio; cuidados a nível comunitários; assistência para as tarefas do dia a dia; atendimento em instituições especializadas e internamentos prolongados em unidades hospitalares);
- Casos de demência: o risco de demência, como a ocorrência de enfermidades como a doença de Alzheimer, aumenta claramente com a idade, estimando-se que 25 a 30% das pessoas com 85 anos de idade e mais apresentem um declínio nas suas capacidades cognitivas. Nos países menos desenvolvidos, estas pessoas não têm acesso a cuidados médicos e as suas famílias não beneficiam de assistência financeira pública para os cuidados a nível domiciliar;
- Maior vulnerabilidade em casos de emergência: Em caso de catástrofes naturais ou conflito armado, as pessoas idosas são as mais vulneráveis e incapazes de percorrer longas distâncias, sendo por vezes abandonadas. Contudo, em muitas situações, elas são úteis, podem prestar contribuições  preciosas e aconselhamento às suas comunidades; a sua experiência traz benefícios para a vida quotidiana e para se fazer face aos desafios do futuro. No quadro da ajuda humanitária, desempenham um papel importante como Líders comunitários.
Mensagens principais para o 7 de Abril de 2012
- As pessoas idosas são um património nacional;
- As pessoas idosas são preciosas para a sociedade e devem sentir-se valorizadas;
- Uma boa saúde ao longo da vida permite-nos desfrutar plenamente dos aspectos positivos do envelhecimento;
- As sociedades que prestam cuidados à sua população idosa e que beneficiam da sua participação activa na vida quotidiana estarão melhor preparadas para fazerem face aos desafios da evolução mundial.

segunda-feira, 9 de abril de 2012

BIOLOGIA EM FOCO -- DEGELO


O último grande degelo do planeta não aconteceu de forma constante. Houve sim um período de aumento abrupto do nível das águas


Último degelo do planeta elevou nível do mar em 20 metros
Último degelo do planeta elevou nível do mar em 20 metros
Em menos de 500 anos, subiu cerca de 20 metros, segundo Pierre Deschamps, geólogo e pesquisador principal do Cerege (sigla em francês de Centro Europeu de Pesquisa e Ensino de Geociências do Meio Ambiente), em artigo publicado a revista científica "Nature.


O ponto mais ativo desse degelo, que começou há 15 mil anos e acabou há 12 mil, foi no período entre 14.650 anos e 14.310 anos atrás. É nesse intervalo de tempo que, segundo as medições dos analistas, o nível de água subiu no Taiti entre 12 e 22 metros.


Os cientistas participantes do estudo basearam a pesquisa em medições efetuadas nesta ilha do Pacífico e concluíram também que a maior parte de água veio do degelo da Antártida.


Para obter os dados, Deschamps e seus colegas estudaram os fósseis dos corais e de uma espécie de búzio que habitaram no litoral norte, sul e oeste do Taiti.


O aumento das águas que o analista cita em seu artigo coincidiu no tempo com a Oscilação de Boelling, uma época na qual o clima se moderou e as massas de gelo continentais liberaram grandes quantidades de água no mar.


No entanto, a cronologia exata do degelo e a origem de suas águas seguem sem esclarecer tudo, já que o nível dos mares não ascendeu de forma uniforme, e por isso é necessário estudar os aumentos em distintas costas do planeta.


Além disso, os especialistas não só tentam averiguar quanto cresceram os mares, mas também qual foi a fonte que produziu o aumento das águas, ou seja, se o que derreteu foi o Ártico, a Groenlândia ou a Antártida.


Os dados da pesquisa liderada por Deschamps, em combinação com outro estudo realizado em Barbados, sugerem que a maior parte desta água procedia do degelo da Antártida.


Segundo os analistas, conhecer melhor estes fenômenos permitiria compreender como a mudança climática atual afetará os gelos polares nos próximos anos.


Neste sentido, a velocidade com a qual cresceram as águas no período estudado por Deschamps foi "significativamente maior" às estimativas para o século 21, que predizem um aumento inferior a dois metros por século.
Fonte: folha.uol.com.br
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BIOLOGIA EM FOCO - ÁGUA

Pesquisa do Inpa usa semente para purificar água de rio da Amazônia.
As águas escuras do Rio Negro, no Amazonas, precisam ser clarificadas e purificadas antes deAmostras de água do Rio Negro antes e depois da aplicação (Foto: Divulgação /  Edilene Sargentini) serem consumidas. Um dos produtos usados neste processo é o sulfato de alumínio, tóxico para a natureza. Para evitar a contaminação e melhorar a saúde de comunidades que dependem da água do rio, o Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa) estudou o uso da semente de uma planta, a moringa, para tornar potável a água do Rio Negro e conseguiu resultados inesperados.


A moringa é uma planta originária da Índia. Para purificar a água, a semente é extraída e masserada, formando um pó, aplicado no líquido. No Brasil, a planta já é usada para tirar o barro e eliminar bactérias de rios da região Nordeste. Como a quantidade de pó de varia de acordo com as características dos rios e também com o período do ano, “a pesquisa do Inpa foi pioneira”, diz a farmacêutica Edilene Sargentini, que participou dos estudos.


“A grande diferença do Rio Negro é que a água é colorida devido à presença de substância húmica, decorrente da decomposição de animais e plantas da floresta, transportados para o rio por meio de lixiviação”, explica Edilene.


Além de conseguir limpar a água e eliminar 99% das bactérias, o estudo do Inpa desenvolveu uma nova metodologia de aplicação da semente de moringa que consegue purificar a água mais rapidamente. Ao aplicar o pó na água, não é preciso esperar cerca de 2 horas, como ocorre em processos já conhecidos. Nos laboratórios do Inpa, a purificação ocorreu em apenas alguns minutos.


Além disso, com o novo método, os pesquisadores conseguiram deixar a água potável por até três dias – contra um dia com o método convencional. “Após usar o pó da semente de moringa, você tem um tempo para usar a água. Depois disso, ela ‘apodrece’. Descobrimos uma nova metodologia para usar esta semente de modo em que a água não ‘apodrece’ tão rápido”, conta Edilene. Os pesquisadores pretendem patentear a nova metodologia.


Sachês

Agora, a pesquisa está entrando em uma nova fase, fora do Inpa. O objetivo da equipe é desenvolver sachês de moringa, que poderiam ser distribuídos para as comunidades à beira do Rio Negro com um passo a passo do uso. Para Edilene, o sachê facilitaria o uso da moringa, porque já viria com a dose certa. Bastaria colocá-lo na água, sem ser necessário ter a planta no quintal e preparar o pó.


Mas, antes mesmo da criação dos sachês, os resultados da pesquisa podem ser aplicados através do ensino da preparação do pó e aplicação na água. Uma das metas da equipe de pesquisa é criar uma cartilha que explique os procedimentos.


Apesar de não ser nativa do Brasil, a moringa se adaptou bem às condições amazônicas, afirma Edilene. “[No Inpa] nós plantamos 90 sementes de moringa e 87 germinaram. Com um ano a planta já está dando fruto. E, se a poda é feita corretamente, a moringa dá semente até três vezes por ano”. Depois, é só preparar o pó. Uma solução simples para melhorar o Rio Negro e a saúde de populações que vivem em torno dele, conclui Edilene.
Fonte: Globo.com

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sábado, 24 de março de 2012

SAÚDE EM FOCO - TUBERCULOSE


Dia Mundial da Tuberculose: Brasil investe no combate à doença

Publicada em




O Dia Mundial de Combate à Tuberculose, celebrado anualmente em 24 de março, ganhou significado especial para os brasileiros neste ano, em que são lembrados os 50 anos da morte do brasileiro Manuel Dias de Abreu, inventor da abreugrafia, uma das grandes contribuições do País à medicina mundial, que o levou a ser indicado ao prêmio Nobel cinco vezes. Em entrevista à agência de notícias France Presse, Miguel Aiub Hijjar, chefe do Centro de Referência Prof. Hélio Fraga (CRPHF/ENSP), falou sobre a doença e a evolução do tratamento. Leia a seguir:

Dia Mundial da Tuberculose: Brasil investe no combate a uma doença invisível

O Brasil avança em novos tratamentos de combate à tuberculose para atingir as metas estabelecidas dentro dos Objetivos do Milênio definidos pela ONU, depois de ter sido um precursor no método de diagnóstico de uma doença que mata 1,5 milhão de pessoas por ano no mundo.

O Dia Mundial de Combate à Tuberculose, celebrado anualmente em 24 de março, ganha um significado especial para os brasileiros neste ano, em que são lembrados os 50 anos da morte do brasileiro Manuel Dias de Abreu, inventor da abreugrafia, uma das grandes contribuições do País à medicina mundial, que o levou a ser indicado ao prêmio Nobel cinco vezes.

No entanto, o país que já foi referência no combate à doença ainda convive com ela, integrando a lista das 22 nações que concentram 80% dos casos no mundo, com cerca de 4.600 casos por ano, segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS).

A redução dos casos detectados até 2015 é um dos requisitos brasileiros dentro dos Objetivos do Milênio, definidos no ano 2000 pela ONU.

No começo do século XX, a tuberculose era uma epidemia no país e não havia políticas de controle eficaz ou tratamento. "Cerca de 50% das pessoas que contraíam tuberculose morriam em dois anos se a doença evoluísse. Hoje existe a perspectiva do tratamento", explicou Miguel Aiub Hijjar, chefe do Centro de Referência Prof. Hélio Fraga, da Escola Nacional de Saúde Pública da Fiocruz.

A descoberta de medicamentos veio nos anos quarenta e o número de casos começou a reduzir, graças também à melhoria das condições de vida. Em 1936, o médico Manuel Dias de Abreu criou uma espécie de raio-X simplificado que oferecia um diagnóstico rápido e barato e que ficou conhecido como abreugrafia.

"A utilização do raio-X comum era dificultada pela falta de recursos que evitassem a contaminação", explicou a especialista em história da tuberculose, Dilene dos Santos. "A abreugrafia virou exame diagnóstico de massas, principalmente nas décadas de setenta e oitenta, quando era requisitado na admissão a empregos".
Atualmente, acredita-se que um terço da população mundial tenha tido contato com o bacilo de Koch, causador da tuberculose.

Esta semana, uma aliança global contra a tuberculose anunciou o primeiro teste clínico de um novo tratamento para a doença – tanto na forma clássica quanto naquelas resistentes aos antibióticos – que será realizado no Brasil, e em países como África do Sul e Tanzânia.

A Aliança Mundial para o Desenvolvimento de Medicamentos contra a Tuberculose (TB Alliance), financiada por governos e fundações como a Fundação Bill e Melinda Gates, indicou que uma nova combinação de drogas promete avanços.

Para Hijjar, os maiores desafios no tratamento são a sua associação com a Aids, que aumenta a incidência, a persistência da pobreza e o abandono do tratamento.

"A média de abandono no Brasil é de quase 11%, quando o aceitável é 5%", afirmou.

O tratamento deve ser realizado durante seis meses e o abandono leva à resistência aos medicamentos. Na tuberculose multirresistente, se estende por dois anos ou mais.

Atualmente, as pesquisas avançam em três direções: na redução desse tempo, na busca por uma vacina recomendada para adultos e por diagnósticos mais rápidos e modernos, como o GenXpert e Genotype MTBDRplus, substituindo a tradicional baciloscopia, utilizada desde sua invenção, no século XIX.

Carlos Basilia, diretor do Fórum de ONGs Tuberculose RJ – que reúne mais de 200 organizações não governamentais com diferentes áreas de atuação –, lembrou que a tuberculose ainda tem muitos estigmas.

"Há uma invisibilidade do problema e das pessoas com tuberculose, ao contrário da dengue, por exemplo", afirmou.

Entre os sintomas da tuberculose, estão: tosse persistente há mais de 3 semanas, com presença ou não de catarro ou sangue, perda de apetite, emagrecimento, febre baixa no fim do dia e suores noturnos. Quando apresentado um desses sintomas, é aconselhável procurar o serviço de saúde para que seja feito um exame de escarro.

sexta-feira, 23 de março de 2012

COMPORTAMENTO EM FOCO - VOCÊ É RACISTA?


A palavra raça não identifica nenhuma realidade biológica reconhecível no DNA de nossa espécie, e que portanto não há nada de inevitável ou genético nas identidades étnicas e culturais, tais como as conhecemos hoje em dia. Sobre isso, a ciência tem ideias bem claras

Todas as raças provêm de um só tronco, o Homo sapiens, portanto o patrimônio hereditário dos humanos é comum. E isto por si só não justifica o racismo, pois as raças não são nem superiores, nem inferiores, são apenas diferentes. [carece de fontes]

O racismo pode ser pensado como uma “adoção de uma visão equivocada da biologia humana ”, expressa pelo conceito de ‘raça’, que estabeleceu uma justificativa para a subordinação permanente de outros indivíduos e povos, temporariamente sujeitos pelas armas, pela conquista, pela destituição material e cultural, ou seja, pela pobreza, como conceitua Antônio Sérgio Alfredo Guimarães.

Atualmente ramos do conhecimento científico como a Antropologia, História ou Etnologia preferem o uso do conceito de etnia para descreverem a composição de povos e grupos identitários ou culturais.
http://pt.wikipedia.org/wiki/Racismo

SOMOS TODOS FILHOS DO MESMO PAI!  FALANDO NISSO, QUAL É A COR DO NOSSO PAI?

COMPORTAMENTO - RACISMO

BIOLOGIA EM FOCO - DIA MUNDIAL DA METEOROLOGIA

sexta-feira, 9 de março de 2012

COMPORTAMENTO EM FOCO - E VOCÊ, É NORMAL!?

SAÚDE EM FOCO

Cientistas identificam como maconha afeta memória de curto prazoPDFImprimirE-mail
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A maconha inunda o cérebro com uma série de substâncias químicas que imitam um de seus próprios sistemas de sinalização, levando a mudanças na memória e no humor.
Londres - Cientistas acreditam estar mais perto de entender como o consumo de maconha interrompe a memória de curto prazo. A equipe canadense da Universidade de Ottawa reduziu este efeito ao manipular um tipo particular de célula do cérebro chamada de astrócito. Em artigo escrito para a revista "Cell", eles disseram que seria possível bloqueá-la com medicamentos baseados em maconha.
Um pesquisador britânico disse que a experiência poderia revelar mais da química natural do cérebro. A maconha inunda o cérebro com uma série de substâncias químicas que imitam um de seus próprios sistemas de sinalização, levando a mudanças na memória e no humor.
Os cientistas estão tentando aproveitar o poder destas químicas, chamadas de canabinoides, em produtos farmacêuticos destinados a tratar doenças como a esclerose múltipla e a dor crônica. As doses de canabinoides são cuidadosamente controladas para evitar efeitos adversos.
O trabalho realizado pelos pesquisadores da Universidade de Ottawa pode lançar luz sobre como um dos canabinoides mais conhecidos, o THC, age no cérebro. Seu trabalho sugere que, quando se trata dos efeitos sobre a memória, o THC não está agindo, como poderia ser esperado, nos neurônios do cérebro, mas numa célula do cérebro chamada de astrócito.
Eles criaram camundongos cujos astrócitos não poderiam ser afetados pelo THC, e descobriram que sua memória espacial não foi afetada pela dose. Esta descoberta pode ajudar companhias farmacêuticas a reduzir o risco de efeitos colaterais indesejados quando usassem THC em seus produtos, eles sugerem. No entanto, possivelmente o mais importante da pesquisa, é que pode-se entender as vias químicas do prórprio cérebro, o sistema endocanabinoide.
- Quando falamos de qualquer função fisiológica do corpo, é provável que os endocanabinoides estejam envolvidos de alguma forma - disse Xia Zhang, um dos pesquisadores.
Entender como esse sistema funciona pode levar a formas de fazê-lo funcionar melhor, ele sugere.
- Nós podemos achar um jeito de lidar com problemas de memória de trabalho na doença de Alzheimer - disse ele.
Heather Ashton, professora da Universidade de Newcastle, disse que problemas de memória são uma consequência já identificada do consumo de maconha, e que compreender o mecanismo por trás deles era "interessante".
- Quando alguém está usando maconha, em alguns casos, você acha que esta pessoa não conseguirá sequer lembrar do início de uma frase quando chegar ao fim dela - ela disse.
Mas a especialista concordou que os benefícios práticos dessa pesquisa podem ser uma melhor compreensão do sistema endocanabinoide do próprio organismo, em vez dos efeitos da maconha em si.  



FIQUE ATENTO!

quinta-feira, 8 de março de 2012

COMPORTAMENTO EM FOCO - DIA INTERNACIONAL DA MULHER

Mulher

Erasmo Carlos

Dizem que a mulher
É o sexo frágil
Mas que mentira
Absurda!
Eu que faço parte
Da rotina de uma delas
Sei que a força
Está com elas...
Vejam como é forte
A que eu conheço
Sua sapiência
Não tem preço
Satisfaz meu ego
Se fingindo submissa
Mas no fundo
Me enfeitiça...
Quando eu chego em casa
À noitinha
Quero uma mulher só minha
Mas prá quem deu luz
Não tem mais jeito
Porque um filho
Quer seu peito...
O outro já reclama
A sua mão
E o outro quer o amor
Que ela tiver
Quatro homens
Dependentes e carentes
Da força da mulher...
Mulher! Mulher!
Do barro
De que você foi gerada
Me veio inspiração
Prá decantar você
Nessa canção...
Mulher! Mulher!
Na escola
Em que você foi
Ensinada
Jamais tirei um 10
Sou forte
Mas não chego
Aos seus pés...

segunda-feira, 5 de março de 2012

SAÚDE EM FOCO

TABAGISMO E RISCO DE CÂNCER DE BEXIGA ENTRE HOMENS E MULHERE

Introdução
Neal D. Freedman, PhD, MPH; Debra T. Silverman, ScD, ScM; Albert R. Hollenbeck, PhD; Arthur Schatzkin, MD, DrPH†; Christian C. Abnet, PhD, MPH
Estudos anteriores indicam que o risco populacional atribuível de câncer de bexiga associado ao tabagismo é de 50% a 65% nos homens e de 20% a 30% nas mulheres, e que o hábito de fumar cigarro triplica o risco de câncer de bexiga. Durante os últimos 30 anos, a incidência deste câncer manteve-se estável nos Estados Unidos entre homens (123,8 por 100.000 pessoas-ano para 142,2 por 100.000 pessoas-anos) e mulheres (32,5 por 100.000 pessoas-ano para 33,2 por 100.000 pessoas-ano), porém, com as mudanças na prevalência do tabagismo e na composição dos cigarros, as estimativas de risco para câncer de bexiga e tabagismo devem ser reavaliadas.
Objetivos
Avaliar a associação entre tabagismo e câncer de bexiga.
Métodos
Homens (n = 281.394) e mulheres (n = 186.134) participantes do coorte National Institutes of Health-AARP (NIH-AARP) Diet and Health Study completaram um questionário sobre estilo de vida e foram acompanhados entre 25 de outubro de 1995 a 31 de dezembro de 2006. Estudos prospectivos coorte anteriores sobre tabagismo e incidência de câncer de bexiga foram identificados por uma revisão sistemática e os riscos relativos foram estimados.
Resultados
Durante 4.518.941 pessoas-anos de follow-up, o câncer de bexiga ocorreu em 3.896 homens (144 por 100.000 pessoas-ano) e 627 mulheres (34,5 por 100. 000 pessoas-ano).
A incidência anual de câncer de bexiga entre fumantes, ex-fumantes não-fumantes foi respectivamente 177,3 119,8, e 39,8 para cada 100.000 pessoas.
A estimativa de risco para fumantes em sete estudos anteriores (iniciados entre 1963 e 1987) foi de 2,94. O risco populacional de câncer de bexiga atribuível ao tabagismo foi de 0,50 (IC95%: 0,45-0,54) em homens e de 0,52 (IC95%: 0,45-0,59) em mulheres.
Conclusão
Em comparação com uma estimativa combinada de dados norte-americanos de uma coorte iniciada entre 1963 e 1987, os riscos relativos para o tabagismo mostrados nos dados mais recentes do NIH-AARP Diet and Health Study cohort foram superiores, com riscos populacionais atribuíveis comparáveis entre mulheres e homens.
Financiamento
Intramural Research Program of the National Institutes of Health, National Cancer Institute, Division of Cancer Epidemiology and Genetics.
Referência
Freedman ND, Silverman DT, Hollenbeck AR, Schatzkin A, CC Abnet. Association Between Smoking and Risk of Bladder Cancer Among Men and Women. JAMA. 2011;306(7):737-745.


quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

COMPORTAMENTO EM FOCO -

Iemanjá, também conhecida como "Rainha do Mar" é um orixá africano, e faz parte da religião do candomblé e de outras religiões afro-brasileiras. Dia 2 de fevereiro é a maior festa de Iemanjá, onde milhares de pessoas se vestem de branco e vão até o tempo para depositar oferendas, como espelhos, joias, comidas, perfumes e outras coisas.

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

COMPORTAMENTO EM FOCO

Quem manda em casa: pais ou filho?

Escrito por Jorge Lordello Sex, 22 de Julho de 2011 20:59

O filho roqueiro, de 16 anos, de um pastor da igreja, queria muito dirigir o carro do pai. Esperou o melhor momento e fez o pedido, alegando que os genitores de seus colegas de escola permitiam breves passeios. Depois de refletir, o religioso responde: "Filho, vamos fazer o seguinte: você melhora suas notas na escola, estuda a Bíblia todos os dias e corta esses cabelos, que estão muito compridos, aí voltamos a  conversar sobre esse assunto".

Um mês depois, o rapaz volta a cobrar se pode dar uma voltinha de carro. O pastor, serenamente, comenta: "Filho, estou realmente orgulhoso de você, pois dobrou suas notas no colégio e tem estudado com afinco a palavra de Deus, mas reparei que não cortou os cabelos!" O rapaz retruca, apresentando ótimo argumento: "Papai, lendo a Bíblia fiquei intrigado, pois Sansão usava cabelos longos e Noé também. Até Jesus tinha cabelos compridos! E sei que todos eram boas pessoas". O genitor concluiu: "Puxa, meu garoto, você tem toda razão, e olha...todos eles andavam muito a pé". O jovem, meio sem jeito, baixou a cabeça, pegou os livros e foi para a escola.

É comum filhos fazerem pedidos complicados e, até, muitas vezes, absurdos e contrários a lei. Costumam alegar que os amiguinhos tiveram as vontades atendidas pela família. Nessas ocasiões devemos ser firmes e mostrar que tudo tem sua hora na vida.

Quando falamos a palavra "não" a um filho, devemos mantê-la até o final. O problema é que muitos pais dizem "não" e em seguida, quando o filho apresenta recurso, tentando alterar a sentença negatória, recuam. Os artifícios podem ser choro, grito, cara feia e tantos outros, sempre objetivando que o responsável altere, rapidamente, a "sentença", permitindo a realização do desejo infantil ou juvenil.

O mesmo acontece quando, por exemplo, uma mãe aplica castigo ao filho: "Você vai ficar 3 dias sem sair de casa e não poderá brincar com seus amiguinhos". Naquele momento o garotinho pensa: "Qual estratégia usarei para dobrar mamãe?". A arma que mais oferece resultados é o sentimentalismo. O segredo é apelar para emoção.

Por algumas horas a mulher resiste, mas em dado momento joga a toalha, finge esquecer que tinha aplicado pena disciplinar. O garoto sai vitorioso; mais do que isso, aprende o "caminho das pedras" para dobrar a mãe quando bem entender. Talvez um dos piores equívocos cometidos por pais é falar a palavra "não" a um filho e reverter a decisão em seguida, sem esperar o tempo adequado. Aí, o filho raciocina que o "não" na verdade é um belíssimo "fique a vontade, faça o que quiser".

Portanto, antes de negar algum pedido ou determinar certa punição, reflita antes se conseguirá fazer cumprir sua vontade. Não exagere, evite ser radical e procure sempre o diálogo, mas quando tomar uma decisão, lembre-se de não voltar atrás, para não virar "jurisprudência".
E-MAIL ENVIADO POR DORIS DAY

COMPORTAMENTO EM FOCO - DIA DA SAUDADE

Saudade - Crônica de Miguel Falabella

Trancar o dedo numa porta dói.
Bater com o queixo no chão dói.
Torcer o tornozelo dói.
Um tapa, um soco, um pontapé, doem.
Dói bater a cabeça na quina da mesa, dói morder a língua, dói cólica, cárie e pedra no rim.
Mas o que mais dói é a saudade.
Saudade de um irmão que mora longe.
Saudade de uma cachoeira da infância.
Saudade de um filho que estuda fora.
Saudade do gosto de uma fruta que não se encontra mais.
Saudade do pai que morreu, do amigo imaginário que nunca existiu.
Saudade de uma cidade.
Saudade da gente mesmo, que o tempo não perdoa.
Doem essas saudades todas.
Mas a saudade mais dolorida é a saudade de quem se ama.
Saudade da pele, do cheiro, dos beijos.
Saudade da presença, e até da ausência consentida.
Você podia ficar na sala e ela no quarto, sem se verem, mas sabiam-se lá.
Você podia ir para o dentista e ela para a faculdade, mas sabiam-se onde.
Você podia ficar o dia sem vê-la, ela o dia sem vê-lo, mas sabiam-se amanhã.
Contudo, quando o amor de um acaba, ou torna-se menor, ao outro sobra uma saudade que ninguém sabe como deter.
Saudade é basicamente não saber.
Não saber mais se ela continua fungando num ambiente mais frio.
Não saber se ele continua sem fazer a barba por causa daquela alergia.
Não saber se ela ainda usa aquela saia.
Não saber se ele foi na consulta com o dermatologista como prometeu.
Não saber se ela tem comido bem por causa daquela mania de estar sempre ocupada; se ele tem assistido às aulas de inglês, se aprendeu a entrar na Internet e encontrar a página do Diário Oficial; se ela aprendeu a estacionar entre dois carros; se ele continua preferindo Malzbier; se ela continua preferindo Margarita; se ela continua sorrindo com aqueles olhinhos apertados; se ela continua dançando daquele jeitinho enlouquecedor; se ela continua cantando tão bem; se ela continua detestando o Mc Donald's. Se ele continua amando; se ela continua a chorar até nas comédias.
Saudade é não saber mesmo!
Não saber o que fazer com os dias que ficaram mais compridos;
Não saber como encontrar tarefas que lhe cessem o pensamento;
Não saber como frear as lágrimas diante de uma música;
Não saber como vencer a dor de um silêncio que nada preenche.
Saudade é não querer saber se ela está com outro, e ao mesmo tempo querer.
É não saber se ele está feliz, e ao mesmo tempo perguntar a todos os amigos por isso...
É não querer saber se ele está mais magro, se ela está mais bela.
Saudade é nunca mais saber de quem se ama, e ainda assim doer;
Saudade é isso que senti enquanto estive escrevendo e o que você, provavelmente, está sentindo agora depois que acabou de ler...
Fonte: www.spectrumgothic.com.br

domingo, 29 de janeiro de 2012

BIOLOGIA E SAÚDE EM FOCO


-NETSes_dta.gif (1703 bytes) Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo
Coordenadoria dos Institutos de Pesquisa - CIP
DTAACve_dta.gif (1110 bytes) Centro de Vigilância Epidemiológica - CVE
Centro de Vigilância Sanitária - CVS
Instituto Adolfo Lutz - IAL
Instituto de Infectologia Emílio Ribas - IIER



MANUAL DAS DOENÇAS TRANSMITIDAS POR ALIMENTOS E ÁGUA
Rotavírus

1. Descrição da doença - a infecção pelo rotavírus varia de um quadro leve, com diarréia aquosa e duração limitada à quadros graves com desidratação, febre e vômitos, podendo evoluir a óbito. Praticamente todas as crianças se infectam nos primeiros 3 a 5 anos de vida, mesmo nos países em desenvolvimento, mas os casos graves ocorrem principalmente na faixa etária de 3 a 35 meses. No Brasil, e também em São Paulo, os dados relativos à incidência são bastante limitados.
Nos Estados Unidos, é a principal causa de diarréia grave. Estima-se que essa doença seja responsável por 5 a 10% de todos os episódios diarreicos em crianças menores de 5 anos. Também aparece como causa freqüente de hospitalização, atendimentos de emergência e consultas médicas, sendo responsável por consideráveis gastos médicos. Crianças prematuras, de baixo nível sócio-econômico ou com deficiência imunológica parece estarem sujeitas a doença de maior gravidade. O rotavírus também tem grande participação nos surtos de gastroenterite hospitalar.
2. Agente etiológico - é um RNA vírus da família dos Reoviridae, do gênero Rotavírus. São classificados sorologicamente em grupos, subgrupos e sorotipos. Até o momento 7 grupos foram identificados: A, B, C, D, E, F e G, ocorrendo em diversas espécies animais, sendo que os grupos A, B, e C são associados a doença no homem. O grupo A é o de melhor caracterização, predominando na natureza, associado a doença no homem e em diversas outras espécies animais. Possuem antígeno comum de grupo, localizado no componente VP6, no capsídeo intermediário, detectável pela maioria dos testes sorológicos. Esta proteína também determina o subgrupo (I, II, I e II, não I – não II) a que pertence a cepa. Os sorotipos são determinados por duas proteínas (VP4 e VP7) situadas no capsídeo externo. Dos 14 sorotipos G (VP7) conhecidos, 10 têm sido descritos como patógenos humanos: os tipos G1 a G4, os mais freqüentemente encontrados em todo o mundo e para os quais vacinas estão sendo desenvolvidas; os tipos G8 e G12, esporadicamente encontrados e o tipo G9, predominante na Índia. Rotavírus que eram encontrados exclusivamente como patógenos animais, sorotipos G5, G6 e G10, foram isolados em humanos. O sorotipo G5 foi encontrado em amostras brasileiras ( Gouvea et al, 1994; Timenetsky et al, 1994; 1998)
3. Modo de transmissão - rotavírus são isolados em alta concentração em fezes de crianças infectadas e são transmitidos pela via fecal-oral, por contato pessoa a pessoa e também através de fômites. A máxima excreção viral se dá no 3º e 4º dia a partir dos primeiros sintomas, no entanto, podem ser detectados nas fezes de pacientes mesmo após a completa resolução da diarréia.
4. Período de incubação - varia de 1 a 3 dias.
5. Conduta médica e diagnóstico - A. a anamnese feita com cuidado, com dados de história, antecedentes epidemiológicos e o exame clínico podem sugerir fortemente a infecção pelo rotavírus, no entanto como as manifestações clínicas da infecção não são específicas, a confirmação laboratorial é necessária para a vigilância epidemiológica e pode também ser útil em situações clínicas. Na forma clássica, mais freqüente em crianças de 6 meses a dois anos, a doença se manifesta como quadro abrupto de vômito, que na maioria das vezes precede a diarréia, e a presença de febre alta. É comum observar-se formas mais leves ou quadros subclínicos entre adultos contactantes. Em crianças até os 4 meses pode haver infecção assintomática, aventando-se a ação protetora de anticorpos maternos e do aleitamento natural.
A diarréia é caracteristicamente aquosa, com aspecto gorduroso e caráter explosivo, durando de 4 a 8 dias. Variações do quadro clínico através de infecções aparentes ou inaparentes não parecem guardar correlação com o sorotipo, enquanto que nas reinfecções, na maioria das vezes se evidenciam variedades antigênicas, sendo que, via de regra, a primeira infecção é a de maior gravidade. B. o exame laboratorial específico é a investigação do vírus nas fezes do paciente. A época ideal para detecção do vírus nas fezes vai do primeiro ao quarto dia de doença, período de maior excreção viral. O método de maior disponibilidade é a detecção de antígenos, por ELISA, nas fezes. Outras técnicas, incluindo microscopia eletrônica, PCR e cultura, são usadas principalmente em pesquisas. Métodos sorológicos que identifiquem aumento de títulos de anticorpos IgG e IgM, por ELISA, também podem ser usados para confirmação de infecção recente.
6. Tratamento – por ser, em geral, doença auto limitada, com tendência a evoluir espontaneamente para a cura, o fundamental do tratamento é prevenir a desidratação e distúrbios hidreletrolíticos. Não se recomenda o uso de antimicrobianos. Não há terapêutica específica para combater o rotavírus. A orientação atual é de manutenção da dieta alimentar normal. Eventualmente pode ser necessário recorrer à hidratação parenteral, se a oral não for suficiente para a reposição de fluidos e eletrólitos. Não se recomenda o uso de antidiarreicos.
7. Complicações - existem vários relatos na literatura associando a infecção por rotavírus a encefalites, Síndrome de Reye e à Doença de Kawasaki. De todas as complicações as que não assumem caráter circunstancial são a diarréia prolongada em imunodeprimidos e a enterocolite necrotisante em neonatos.
8. Distribuição e freqüência da doença - estudos efetuados em vários países evidenciam a distribuição universal da doença, embora com características epidemiológicas distintas em áreas de clima temperado e nas áreas tropicais. Nas primeiras manifesta-se com uma distribuição tipicamente sazonal, através de extensas epidemias nos meses frios. Já nas regiões tropicais, a sazonalidade não é tão marcante, manifestando-se mais por um caráter endêmico. No Brasil, estudo realizado por Pereira et al, em 1993, evidenciou sazonalidade típica nas regiões Centro-Oeste, sudeste e sul, não se observando o mesmo padrão no Norte e Nordeste do país. Dados referentes à epidemiologia molecular são ainda bastante restritos. Estudos prospectivos, na região amazônica, ao longo da década de 80, em comunidades urbanas mostravam associação do sorotipo 1 em 50 a 70% das infecções, com predominância do tipo 1 no primeiro ano de vida e do 2 no segundo, sendo particularmente raros os tipos 3 e 4. No entanto, estudos realizados em Belém, Pará, em 1988, revelaram aparente predominância do sorotipo 3 enquanto que estudos mais recentes, realizados no âmbito hospitalar e comunitário, identificaram o sorotipo 2 em 80% dos casos e o 1 em 8%.
Estudos realizados no Estado de São Paulo demonstraram a presença dos sorotipos G5 (27%), G3 (23%), G1 (17%), G2 (7%) e G4 (5%) em amostras identificadas no período de 1986 a 1992 (Timenetsky et al, 1994;1998). Analisando-se amostras identificadas na capital em 1995, o sorotipo G1 (40%) foi o predominante, seguido do G5 em 23% ( Carmona et al, 1998).
9. Condutas epidemiológicas, sanitária e educativa - 1) notificação em caso de surtos: deve ser imediatamente notificado ao Serviço de Vigilância Epidemiológica Municipal, Regional ou Central para que sejam desencadeadas as medidas as de controle bem como as necessárias à identificação do agente etiológico. O Centro de Vigilância Epidemiológica da Secretaria Estadual de Saúde de São Paulo mantém uma Central de Vigilância, funcionando ininterruptamente que além de receber notificações pode orientar quanto a medidas a serem adotadas, através do telefone 0800-55-54-66; 2) Vacina contra o rotavírus - a utilização de vacina eficaz permanece como a medida profilática de maior impacto contra a diarréia por rotavírus. Em 1998, uma vacina oral, tetravalente contra os sorotipos G1, G2, G3 e G4, foi liberada para uso nos EUA. Recentemente seu uso foi suspenso até que melhor avaliação acerca de sua segurança seja feita. Apresenta-se na forma liofilizada e quando reconstituída, cada dose de 2,5 ml contém 1 x 10 5 unidades formadoras de placa (UFP) de cada uma das cepas. Sua utilização no programa de imunização no Brasil, além das questões relativas à segurança do imunobiológico, ainda depende de estudos que avaliem melhor a epidemiologia do rotavírus entre nós, bem como aspectos relativos à relação custo benefício de sua introdução em larga escala. 3) Outras medidas sanitárias e educativas - as práticas higiênicas tradicionais e universais como lavagem de mãos, controle da água e dos alimentos, destino adequado dos dejetos e do esgoto, tão importantes na profilaxia da gastroenterite por outros patógenos, parecem não ter grande impacto na incidência da infecção pelo rotavírus. Evidências nesse sentido são as extensas epidemias cíclicas da doença em países desenvolvidos. Nesse sentido, o estímulo ao aleitamento materno teria fundamental importância pelos altos níveis de anticorpos contra o rotavírus.
10. Conduta laboratorial - os procedimentos de pesquisa do Rotavírus são: pesquisa do vírus em amostra de fezes coletada na fase aguda da doença, nos primeiros 4 dias, para a detecção do antígeno viral (rotavírus do grupo A) por técnica imunoenzimática (ELISA), empregando-se kits comerciais; pesquisa da partícula viral por técnica de microscopia eletrônica direta (ME); análise do genoma viral por técnicas de eletroforese em gel de poliacrilamida (PAGE), para a detecção dos diferentes grupos de rotavírus, e reação em cadeia de polimerase (PCR), para a genotipagem (VP4 – tipos P; VP7 – tipos G; VP6 – grupos).

11- Bibliografia consultada e para saber mais sobre a doença:

  1. ACIP. Rotavirus Vaccine for the Prevention of Rotavirus Gastroenteritis Among Children Recommendations of the advisory Committee on Imunization Practices, Atlanta, EUA, 48(RR-2): 1-23, mar, 1999.http://www.cdc.gov/epo/mmwr/preview/mmwrhtml/00056669.htm
  2. Farhat C.K., Carvalho E.S., Carvalho L.H.F.R. & Succi R.C.M. Infectologia Pediátrica. Ed. Atheneu, São Paulo, 1994.
  3. Gouvea, V.; Castro, L.; Timenetsky, M.C.; Greenberg, H.; Santos, N.. Rotavirus serotype G5 associated with diarrhea in brazilian children. J. Clin. Microbiol., 32: 1408-9, 1994a.
  4. Kapikian, A. Z. & Chanock, R. M. Rotaviruses.In: Fields, B.N. & Howley, P. M.eds. Virology. 3th ed., Philadelphia: lippicoot-Raven, Publishers, 1996. P. 1657-708.
  5. Linhares, A.C.; Gabbay, Y.B.; Mascarenhas, J.D.P.; Freitas. R.B.; Flewett, T.H.; Beards, G.M.. Epidemiology of Rotavirus serotype in Belem, Brazil: a three-year study. Ann. Inst. Pasteur/Virol., 139: 89-99, 1988.
  6. Mandel, Douglas and Bennett’s. Principles and Practice of Infeccious Diseases, 4th Edition, Churchill & Livingstone Inc., USA, 1995.
  7. Pereira, H.G., Linhares, A.C., Candeias, J.A.N.; Glass, R.I.. National laboratory surveillance of viral agents of gastroenteritis in Brazil: Bull. Pan. Am. Health Organ., 27:224-33, 1993.
  8. Timenetsky, M.C.S.T.; Santos, N.; Gouvea, N.. Survey of rotavirus G and P types associates with human gastroenteritis in São Paulo, Brazil, from 1986 to 1992. J. Clin. Micobiol., 32: 2622-4, 1994.
  9. Timenetsky, M.C.S.T. & Carmona, R.C.C.. Genótippos de Rotavírus associados a gastroenterites humanas no Estado de São Paulo. Laes & Haes, 144: 124-28, 1998.
  10. Veronesi, R. & Focaccia R. Tratado de Infectologia. Ed. Atheneu, Vol. 1, São Paulo, 1996.
  11. OPAS/OMS. El control de las Enfermedades Transmisibles en el hombre. Editor Benenson, A. S., 15 º Edição, Washington D. C., E. U. A. 1992.
  12. US FDA/CFSAN. Rotavírus. BAD BUG BOOK. http://www.fda.gov (procurar em Food e em seguida em Bad Bug Book)
Equipe Técnica:
Maria Bernadete de Paula Eduardo - CVE/SES-SP (Coordenação e Redação geral)
Maria Lúcia Rocha de Mello – CVE/SES-SP
Maria do Carmo S.T. Timenetsky - IAL/SES-SP
Ivany Rodrigues de Moraes- CVS/SES-SP
Célia Elisa Guarnieri - IIER/SES-SP






SAÚDE EM FOCO

              Infecção por Rotavírus


Existem sete sorotipos diferentes de Rotavirus, mas somente três deles infectam o homem e causam gastrenterite aguda. Essa variedade de sorotipos explica por que a pessoa pode ser infectada mais de uma vez, embora seja possível desenvolver certo grau de proteção cruzada que torna mais leve a infecção por um tipo diferente de Rotavírus.
A infecção pode ocorrer em qualquer idade. A estimativa é que até os cinco anos todas as crianças terão pelo menos um episódio de infecção e que uma em cada 300 infectadas pode morrer em consequência das complicações.
Nos adultos, a infecção costuma ser mais benigna.
O Rotavirus é transmitido por via fecal-oral, pelo contato direto entre as pessoas, por utensílios, brinquedos, água e alimentos contaminados. Medidas de saneamento básico são fundamentais para prevenir a transmissão do vírus.
Sintomas
Em alguns casos, a infecção pode ser assintomática. Quando os sintomas aparecem, os mais importantes são: 1) diarreia aguda, geralmente aquosa, sem sinais de muco e sangue; 2) vômitos; 3) febre e mal-estar; 4) coriza e tosse, às vezes; 5) desidratação, nos quadros graves.
Os quadros leves são autolimitados: a infecção dura alguns dias e regride. Os mais graves estão associados à desidratação e podem ter complicações fatais.
Diagnóstico
O diagnóstico clínico pode ser confirmado por um exame laboratorial específico para pesquisar a existência do vírus nas fezes do doente. A amostra deve ser coletada nos primeiros dias da infecção.
Tratamento
Não existem medicamentos específicos para combater a infecção por Rotavírus. O fundamental é manter a criança hidratada, repondo constantemente o líquido perdido nos vômitos e nas evacuações. São sinais de desidratação: letargia, irritabilidade, muita sede, diminuição do volume da urina, boca seca, olhos encovados, ausência de lágrimas, perda do turgor da pele.
Os quadros leves podem ser tratados em casa, com soro caseiro, muito líquido e alimentação normal, especialmente se for leite materno, mas sempre respeitando a orientação médica. Os quadros graves exigem internação hospitalar.
Vacina
A vacina contra o Rotavírus é produzida com vírus humano atenuado e não faz parte do calendário do Programa Nacional de Imunizações. Segundo estudos realizados, o grau de proteção não é total e depende de que as duas doses sejam ministradas precocemente. Não há consenso entre os pediatras sobre sua indicação.
Recomendações
* Lave as mãos cuidadosamente e com freqüência, especialmente depois de usar o banheiro e de trocar as fraldas das crianças, antes das refeições e quando for preparar os alimentos;
* Lave bem e deixe mergulhados em solução desinfetante frutas e legumes que vão ser ingeridos crus;
* Use água tratada para beber e no preparo dos alimentos;
* Mantenha sempre bem limpos os utensílios de mesa e os que são usados na cozinha;
* Lembre-se de que o soro caseiro e os produtos equivalentes contêm sais minerais importantes para reidratar o paciente não encontrados na água pura;
* Procure o médico tão logo a criança apresente episódios de diarréia aguda.